Agência Internacional Ahlulbayt (a.s.) – ABNA: A história da humanidade está repleta de poderes opressores e impérios aparentemente invencíveis que, com todo o seu aparato militar e propagandístico, acreditavam que nenhuma força poderia enfrentá-los. Porém, exatamente no auge do orgulho e da arrogância, a cena mudava de repente. Não com exércitos equivalentes nem com armas mais letais, mas com algo tão pequeno e desprezível que nenhum tirano levava em consideração.
A Suna (tradição) divina é um padrão fixo e imutável na história: Deus não derruba os palácios do orgulho com demonstrações de poder tempestuoso, mas com os instrumentos mais sutis; e, em contrapartida, abre as portas da salvação para os oprimidos e desamparados com os mesmos meios insignificantes.
Explicação dos exemplos da Suna divina ao longo da história da humanidade
Parte 1: A queda dos gigantes pelas partículas
O Sagrado Alcorão narra histórias de poderes rebeldes que foram derrubados por criaturas pequenas e aparentemente insignificantes. Essas narrativas não são meras lendas, mas símbolos profundos de uma lei divina.
1. Nimrod e o mosquito: o deus falso e o inseto verdadeiro
Nimrod, o rei que reivindicou a rububiyyat (senhorio divino) e debateu com Abraão, o Amigo de Deus, foi destruído, apesar de todo o seu exército e poder material, por um simples mosquito. Nas interpretações, conta-se que um mosquito entrou em seu nariz e, por muito tempo, devorou seu cérebro até finalmente matá-lo. Embora essa narrativa não apareça diretamente no Alcorão, está registrada em fontes islâmicas confiáveis e demonstra que “a honra pertence somente a Allah” (1), e não aos faraós de cada época.
2. Faraó e uma onda silenciosa
Faraó, que dizia “Eu sou o vosso Senhor Supremo” (2), não resistiu, com todos os seus carros de guerra, magos e soldados, a “uma onda do Nilo”. O Alcorão afirma: “Então Nós o agarramos, junto com as suas tropas, e os lançamos no mar” (3). O instrumento de salvação de Moisés e dos Filhos de Israel foi exatamente o Mar (Nilo) que, para o Faraó, se transformou em causa de perdição. Não foram mísseis nem bombas; apenas água e a vontade divina.
3. Abraha e os Donos do Elefante: pedrinhas de tormento
A Surata do Elefante é curta, mas carregada de significado: “Não viste como o teu Senhor agiu com os Donos do Elefante? [...] Ele lançou sobre eles pedras de argila cozida” (4). O enorme exército de Abraha, com seus elefantes de guerra, foi destruído pelos pássaros ababil que lançaram pequenas pedras. O menor dos pássaros e a menor das pedras aniquilaram o maior equipamento militar da época.
Deus chama a atenção neste versículo para um ponto importante: “Quantas vezes um grupo pequeno venceu um grupo grande com a permissão de Allah!” (5).
Parte 2: A salvação dos desesperados com os mesmos instrumentos miúdos
O mais surpreendente é que a mesma Suna divina que destrói os arrogantes com as coisas mais pequenas, também usa essa mesma regra para salvar os oprimidos. O caminho da salvação não passa pelos aparatos grandiosos, mas por aquilo que aparentemente é fraqueza e se reveste de poder.
1. Moisés no cestinho: nem navio, nem barco, apenas uma caixa de madeira
Quando a mãe de Moisés (a.s.), desesperada por todos os lados, entregou seu bebê ao rio Nilo, o instrumento de salvação foi um simples “cestinho”: “Lança-o na arca” (6). A mesma água do Nilo que afogou o Faraó levou Moisés para o colo do palácio do Faraó. Não havia nenhum recurso especial; apenas confiança na tradição de que “Deus realiza grandes coisas com meios pequenos”.
2. José do poço à glória: da escuridão à realeza
Os irmãos de José o lançaram no poço. Aquele poço escuro e profundo parecia o fim do caminho; porém, Deus abriu, a partir daquele mesmo poço, o caminho da honra e do governo para ele: “E assim o teu Senhor te escolherá” (7). Não havia exército, riqueza nem contatos; apenas um poço pelo qual passou uma caravana e mudou o destino.
3. O Profeta na caverna: a teia de aranha, o escudo mais forte
Nos momentos mais difíceis da Hégira, o Profeta Muhammad (s.a.a.w.) e Abu Bakr se esconderam na Caverna de Thawr. Os politeístas chegaram até a entrada da caverna. Mas Deus teceu “um ninho de aranha” na boca da caverna e um pombo fez seu ninho ali. Os inimigos disseram: “Se alguém tivesse entrado, essas teias estariam rompidas”.
O Alcorão diz: “Então Allah fez descer Sua tranquilidade sobre ele e o apoiou com exércitos que vós não vistes” (8). A construção mais frágil da natureza (a teia de aranha) tornou-se a mais forte das fortalezas. “Com a dificuldade vem a facilidade” (9).
Parte 3: A lição de hoje – arrogantes e oprimidos no espelho da Suna divina
Se a Suna divina é imutável (“Jamais encontrarás mudança na lei de Allah”) (10), então essa regra também está em vigor hoje.
De um lado, os arrogantes de hoje – desde os poderes dominadores ocidentais até os regimes soberbos da região – imaginam que, com as armas mais avançadas e a mídia, são invencíveis. A história já mostrou inúmeras vezes que essa ilusão é um erro grave. Assim como o Faraó disse “Eu sou o vosso Senhor Supremo” e foi destruído por uma onda, hoje também é possível que a menor descuido ou até mesmo um drone barato nas mãos de um oprimido desmonte todos os cálculos de poder. Uma onda cibernética, pressão econômica ou levante popular pode ser aquele “mosquito” ou “pedrinha”.
Por outro lado, os oprimidos do mundo – do povo da Palestina, do Iêmen e do Afeganistão a todo desamparado – não devem se ver sozinhos e sem esperança. O Deus que enviou um cestinho para Moisés, transformou o poço de José em trono e fez da teia de aranha um escudo para Seu Profeta, ainda hoje auxilia os que têm as mãos vazias com mãos vazias. A condição da vitória não são os recursos materiais, mas “a paciência e a piedade”: “Allah está com os pacientes” (11).
Mensagens recorrentes para consciência e esperança na história
- O poder real pertence a Deus, e não aos palácios e exércitos.
- Os instrumentos enganam; às vezes o maior instrumento paralisa, e às vezes o menor instrumento salva.
- O orgulho leva à queda; nenhum arrogante está a salvo, mesmo que se chame “deus”.
- A esperança está sempre viva; nenhum oprimido fica sem saída, mesmo que esteja no fundo de um poço ou no coração de uma onda.
Hoje também devemos fixar o olhar nessa mesma Suna: as tempestades do orgulho se acalmam e os cestinhos da salvação emergem das ondas. Basta sabermos que os humilhados da história, às vezes nos menores detalhes, constroem os gigantes do futuro – e esta é a promessa de Deus, que jamais falha.
Notas de rodapé:
- Surata Fatir, versículo 10
- Surata An-Nazi’at, versículo 24
- Surata Al-Qasas, versículo 40
- Surata Al-Fil, versículo 1
- Surata Al-Baqara, versículo 249
- Surata Ta-Ha, versículo 39
- Surata Yusuf, versículo 6
- Surata At-Tawba, versículo 40
- Surata Ash-Sharh, versículo 5
- Surata Al-Fath, versículo 23
- Surata Al-Baqara, versículo 153
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